Fora do público-alvo, adultas em MS desembolsam até R$ 3 mil para se vacinar contra o HPV
Restrita no SUS, vacina contra o HPV previne o câncer que mais mata mulheres de até 35 anos
Enquanto o câncer de colo do útero está entre as doenças que mais matam mulheres de até 35 anos no Brasil, a principal forma de prevenção ainda não é acessível a todas. Embora oferecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a vacina contra o HPV é destinada prioritariamente a pessoas de 9 a 14 anos. Assim, mulheres fora dessa faixa precisam recorrer à rede privada, onde o esquema vacinal chega a R$ 3 mil.
A vacina contra o HPV passou a integrar o PNI (Programa Nacional de Imunizações) apenas em 2014. Isso significa que muitas mulheres que já haviam ultrapassado a idade inicialmente definida para vacinação gratuita ficaram sem acesso ao imunizante pelo sistema público, independentemente de já terem iniciado ou não a vida sexual.
Esse cenário mostra que o acesso pleno à saúde das mulheres ainda está atrelado ao poder aquisitivo. Com o valor da vacina próximo a dois salários mínimos (R$ 1.620), mulheres de baixa renda acabam excluídas das políticas de prevenção.
Vacina chega a R$ 3,7 mil em Campo Grande

Para mulheres adultas, o esquema vacinal geralmente inclui três doses, aplicadas nos intervalos de 0, 2 e 6 meses. Em clínicas de Campo Grande, a vacina nonavalente (Gardasil 9), que protege contra nove tipos do vírus HPV, pode custar entre R$ 950 e R$ 1.265 por dose.
Com isso, o custo total da imunização pode variar entre R$ 2.700 e mais de R$ 3.700, dependendo da clínica e das condições de pagamento. Conforme o levantamento feito pelo Jornal Midiamax, as opções de pagamento incluem descontos à vista e parcelamentos de, no máximo, 6x de 479,00.
Algumas clínicas até oferecem descontos ou campanhas sazonais, como ações relacionadas ao Março Lilás, mês da mulher e de conscientização sobre o câncer do colo do útero. Ainda assim, o valor permanece alto para grande parte da população.
Vale a pena vacinar após a adolescência?

Campanha de vacinação em MS. (Divulgação, SES)
Embora a vacinação contra o HPV tenha como principal público crianças e adolescentes antes do início da vida sexual, o médico Thiago Frainer explica que a imunização na idade adulta também pode trazer benefícios, já que a indicação da vacina abrange pessoas de 9 a 45 anos.
“Vale a pena vacinar depois da adolescência? Vale, sim. O paciente pode se proteger contra tipos de vírus com os quais ainda não teve contato. Isso também ajuda a reduzir a recorrência das verrugas genitais”, afirma.
Neste ano, a Anvisa aprovou uma nova indicação para a vacina nonavalente Gardasil 9, ampliando a proteção contra tumores associados ao vírus, incluindo cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço.
Segundo o médico, isso ocorre porque o HPV (papilomavírus humano) reúne mais de 200 subtipos de vírus e está associado tanto ao surgimento de verrugas genitais quanto a diferentes tipos de câncer. A transmissão acontece principalmente por via sexual, pelo contato direto com a pele ou mucosas durante a relação.
“Muita gente acredita que o HPV está relacionado apenas ao câncer do colo do útero, mas isso é um equívoco. O vírus também pode causar verrugas genitais e anais e está associado ao câncer de pênis, câncer anal e câncer de orofaringe, que atinge garganta e boca”, explica.
Entre os subtipos mais conhecidos, os HPV 6 e 11 estão ligados principalmente às verrugas genitais, enquanto os HPV 16 e 18 apresentam maior risco de desenvolvimento de câncer.
Quem pode se vacinar no SUS?
Em Mato Grosso do Sul, a imunização é gratuita e está disponível em todas as unidades de saúde. Além das crianças e dos adolescentes de 9 a 14 anos, fazem parte do público-alvo:
- Imunossuprimidos de 9 a 45 anos (como pessoas vivendo com HIV, pacientes oncológicos e transplantados), com esquema de três doses;
- Vítimas de violência sexual entre 15 e 45 anos, conforme protocolo específico;
- Ampliação temporária para pessoas de 15 a 19 anos que não se vacinaram na idade indicada;
- Usuários da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) entre 15 e 45 anos.
Cobertura vacinal em Mato Grosso do Sul

Vacina contra HPV. (Julia Prado, Ministério da Saúde)
No Estado, os índices de vacinação variam conforme a idade. Em 2025, entre crianças de 9 anos, 72,77% das meninas e 62,69% dos meninos estavam imunizados. Aos 10 anos, os índices sobem para 83,13% entre meninas e 72,94% entre meninos. Já aos 11 anos, a cobertura chega a 89,02% para elas e 84,28% para eles.
Considerando a faixa etária de 9 a 14 anos, a cobertura acumulada no Estado é de 97,33% entre meninas e 87,29% entre meninos. Já em Campo Grande, a cobertura vacinal em 2024 era de 93% entre meninas e 74% entre meninos. Em 2025, os índices subiram para 95% e 81%, respectivamente.
Para ampliar a cobertura vacinal, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) tem adotado estratégias como vacinação em escolas, campanhas de multivacinação, busca ativa de não vacinados e ampliação dos horários nas salas de vacina, com apoio do programa MS Vacina Mais.
Fonte: Jornal Midiamax

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